quarta-feira, 18 de outubro de 2017

what if,!

as questões (só algumas) que estão presentes antes duma operação:
. porque não podemos ter apenas um assunto stressante de cada vez?
. e se eu pertenço à minúscula percentagem de pessoas que morre na sala de operações por motivos que nada têm a ver com a operação? (uma bactéria, uma alergia ou infeção desconhecida, uma cena estupidamente minúscula que ninguém viu)
. e se ninguém se lembra que ela precisa de atenção e de ter o seu próprio tempo sozinha, de mimos e liberdade, de falar as suas histórias como se fossem a mais pura verdade enquanto respondemos como se não o percebessemos? de ser lembrada que a perfeição não é necessária em nenhum momento da nossa vida, que temos direito de perseguir os nossos sonhos, que ela é linda do coração (mas por acaso por fora também) e que as suas verdadeiras pessoas saberão isso? que é das pessoas mais fortes que conheço, que precisa saber que ela é preciosa e deve encontrar pessoas merecedoras da sua presença. que não tem de agradar aos outros. que não é preciso ser sempre forte e que o mano tem pais, que a função dela é ser criança e não se preocupar com nada?
. e se ninguém se lembra que ele precisa de travões constantes mas que lhe digam isso como se a ideia fosse dele? que se precisa também focar nas consequências e não apenas no agora. que é lindo e maravilhoso especialmente no coração (e por acaso por fora também) e que tem de deixar de dizer que é tonto e parvo para se desculpar das ações menos boas, mas mesmo com estas, e se ninguém se lembra de dizer que ele é amado incondicionalmente e se a seguir ele diz que não sabe o que é "amor", lembrar que é gostar muito e sempre? e se não lhe dizem que é muito mais inteligente do que quer mostrar?
. e se ninguém te lembra que não podes desistir mesmo que eu não esteja? em primeiro lugar por ti mesmo e, se isso não for suficiente, pelos nossos Bichinhos. que tens de viver e não apenas sobreviver. que tens e temos sonhos que podes construir e vivê-los mesmo sem mim?
. e se para o outro assunto stressante é preciso mais do que acompanhar e eu, por estar a recuperar, não posso ir fazer exames a apertar-lhe a mão? dizer-lhe parvoíces para sorrir? inventar qualquer realidade do tipo "A vida é bela" para não saber o que se passa?
. e se a operação corre bem a nível de bactérias e alergias mortíferas mas eu fico com mais dores, coxa, mais coxa e mais torta, ou sem conseguir mexer os pés para sempre? e se não conseguir ser feliz assim?
. e se me vou embora e não tive tantas conversas que quereria ter tido?
. e se corre tudo bem e as dores iniciais são insuportáveis?
. se faço um disparate qualquer só para fugir da operação?
. se, por estar com um super senhor herpes ou por hoje ter andado à chuva, fico doente me adiam a operação?
. e se... só de pensar em demasia fico maluquinha?

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

as verdadeiras razões

as verdadeiras razão de ser operada..

. preciso duma cura de sono
. preciso ser mais alta e a regularização dos discos vai dar-me alguns centímetros extra
. preciso dum rabo normal, e endireitar a curva inferior da coluna vai confirmar que afinal o meu rabo não é assim tão espevitado
. preciso de uma cura de sono!

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

datas marcadas

sempre fui muito intensa, sempre vivi, mesmo que apenas dentro de mim, muito intensamente. o que provoca algo muito mau: stress! com datas marcadas tudo aumenta. lembro-me de ser miúda e estar entusiasmada com a chegada do meu aniversário, e parecia que tudo na minha cabeça me fazia lembrar isso: a data que teria de comprar o passe (o anterior ao meu aniversário só porque sim, o posterior porque já teria passado).. e no limite, isto pode levar a algo ainda pior: a insanidade.

a cirurgia, os exames pré-operatórios, a consulta de anestesia: tudo marcado. já marquei o hotel onde os meninos vão ficar nesses dias, já fiz uma limpeza super profunda ao quarto deles, já revi roupas q já não lhe serviam.

antes tenho de...
. ir buscar o resultado da eco da D e mostrar à pediatra,
. ir (eu e o S) a uma consulta de dermatologia e ter certeza que está tudo bem,
.como não sabemos estar quietos, para a semana vêm pintar o meu quarto e a cozinha (e mudar o lavatório de um ex, na esperança de reaver a minha aliança - e ficar com o móvel mais bonito, claro!)
. comprar uma camisa de dormir para mim (nao tenho nenhuma de  inverno porque não  gosto e faz-me frio nas pernas) vai ter de ser gira!
. comprar umas leggings para a D,
. queimar umas cartas que não quero que ninguém veja,
. ter uma semana profissional completamente louca em que já tenho agendado quatro reuniões, dois jantares e um almoço!

será só?

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

eu e as minhas costas

aprendi antes dos meus colegas de escola que nas costas, entre outras, existe a zona lombar e a zona sacra. que a zona que une ambas é a lombar-sagrada.

foi depois de uma queda, deveria ter uns douze anos. as dores levaram-me ao médico e ao meu primeiro TAC, donde saí sozinha de camioneta e fui o caminho todo com tonturas (pensei que todos os TAC's provocassem isso). poucos dias depois telefonaram a dizer que tinha de o repetir porque tinha ficado tremido, e aí percebi que os TAC's não dão tonturas.

lembro-me de não ter percebido grande coisa do que o médico disse após ver o exame, e lembro-me que passado alguns dias a minha mãe finalmente ganhou coragem e no meio do caminho entre Almada e o Monte, disse-me que eu teria de ser operada à coluna, mas que só aconselhavam a operação quando já não houvesse nada a fazer: ou seja, quando eu ficasse sem andar.
com o tempo e mais conversas, fui percebendo que tinha uma má formação na coluna, os discos na zona lombar-sagrada estavam mais para dentro do que o normal, que mais cedo ou mais tarde iriam tocar nos nervos e tendões que ligam às pernas e seria nesse momento que ficava sem andar. percebi que achavam que não se devia mexer antes, porque na coluna só se toca em último recurso.
isto foi há mais de vinte anos.
as dores continuaram sempre a piorar e, confesso, ainda fui a um ou outro médico diferente à espera de alguma ajuda, mas eles aconselharam operação, um deles.. com urgência! percebi que a operação já não era vista como último recurso, o problema é que na minha cabeça, sempre continuou a ser.
agora, depois de quatro ortopedistas terem sugerido cirurgia, mais um osteopata, mais dois médicos de clínica geral, mais um neurocirurgião.. e a minha chefe ter-me perguntado directamente quando é que iria deixar de pedir opiniões e aceitar que esse é o caminho... passei pela Neurocirurgia do Hospital Garcia de Orta, e confesso: não gostei do que lá vi, assustei-me e após tantos anos a não querer pensar nisto, tornou-se uma tortura ter de esperar. segui para o Hospital da Luz e o médico encaminhou-me para a CUF Infante Santo.
agora é fazer de tudo para que passe rápido sem pensar demasiado - claro que as enxaquecas diárias fazem-me ter certeza que o stress está altamente presente..

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

eles ficam na escola, nós vimos embora e deixamos lá parte do coração arrancado

hoje foi uma daquelas noites e um daqueles dias.


nos últimos dias os miúdos não querem ficar na cama ao deitar. o S vem ter comigo devagarinho, como se quisesse a minha atenção mas ao mesmo tempo quisesse ser transparente - tapa a cara com um dos bonecos e fica imóvel à minha frente. a D vem a choramingar, como se só o choro a salvasse de eu me zangar.
volto a andar cansada e não tenho capacidade de os levar para o quarto, estar com eles, acalmá-los, deitada agora na cama da direita, depois na da esquerda. não consigo lidar com um deles a choramingar (aquele choramingar do som irritante), ou a falar mais alto. não consigo lidar com apenas querer uns minutos só para mim, o que não irá acontecer.


o S adormeceu no sofa, eu fui para a cozinha, um bom tempo depois, a D apareceu, acordadíssima. terminei o meu telefonema já na cama dela, combinei que depois iriamos ver em conjunto como é que o quarto deles poderá não ficar tão escuro, mas que agora poderia ir comigo para o meu quarto. fui buscar o S à sala e pu-lo na cama dele, passava das 23.00. acordou por volta das 3, com febre. depois do medicamento adormeceu na minha cama, entre mim e a irmã. acordou por volta das sete com febre, voltou a dormir, e eu também, apesar do despertador já ter tocado. acordei assustada uma hora depois, a tentar estar consciente dos meus actos e frustrações, consciente de estar desorientada e stressada pelo sono e por ser muito tarde. mas isso não me bloqueou o grito, ou de mandar a D parar de chorar - e o que eu detesto que se mande as crianças pararem de chorar.
abracei-a irritada e foi o abraço dela que me acalmou. fomos para a escola mais calmos.
quando lembrei a educadora que hoje era o ultimo dia da D no colégio, as lágrimas vieram sem avisar e a educadora abraçou-me (o que obviamente não ajudou ao meu controlo) e apesar dos últimos tempos o S já ficar melhor na escola (o pai a levar), hoje por ser eu a levá-los, ou por eu estar mal e ele absorver isso (apesar dele não me ter visto a chorar), ou pela febre baixa a pairar, ou pela noite mal dormida, tive de me vir embora, novamente, com a educadora a arrancar-mo do pescoço.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

D

este fim-semana foi a festa de aniversário da D.
como já passaram cinco anos? sei uma parte da resposta: passaram comigo em modo zombie! de quem não dorme e por isso fica o dia todo a mexer-se, a saltitar (esta é difícil quando só se trabalha ao computador, mas é possível!), a comer sem parar, isto para não adormecer durante o dia.
há cerca de ano e meio, talvez dois, da vida dos meus filhos que eu vejo tudo enuvoado.. que me questiono se fiz bem as contas.
voltando à festa, as coisas do costume: os miúdos é que interessam, ver a felicidade da D ao reparar nos promenores da mesa, a ver a quantidade de meninos que vieram só para ela, etc. compensa tudo.
depois, houve a família pouco presente e houve amigos a fazer muito mais do que a obrigação. ainda me lembro de fazer quase tudo sozinha, ainda não estou habituada, afinal, a verdade é que desde miúda que nunca senti a minha família realmente lá para mim.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

o teu olhar para o teu irmão

às vezes é subtil. outras tão óbvio.

o teu olhar para com o teu irmão comove-me, aperta-me cá dentro no bom sentido, naquele sentido que nos sai da boca um "ooohhhh!".

ensinas, apoias, suportas. e é tão forte que já é recíproco.

ontem achaste que havia um monstro no quarto, tu já sabias mas expliquei-te que era a sombra da luz do rádio. e o S disse: mana, estás a ver a sombra da minha mão? é só sombra, não faz mal.

há segundos em que penso que talvez não fizesse novamente igual, que vos vejo a guerrear e tenho certeza que estamos a fazer muitas coisas mal. mas respiro e vejo este teu olhar para o mano, outros olhares dele para ti. vejo esta cumplicidade já tão forte e acredito que vai tudo correr bem.

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